Oceano Ruidoso

19 out

Bom dia! O texto de hoje é de autoria do Filipe José Ignês, em homenagem à Campanha Nacional pelo Silêncio 2010. Legal, né?!

Barulho. Por todos os lados. Não importa onde você esteja, dentro de uma cidade você sempre estará envolto por sons de todas as espécies. Por maior que seja sua concentração e vontade de trabalhar em ambientes totalmente silenciosos, isso nunca passará de uma utopia. Grandes centros atraem pessoas, pessoas geram desenvolvimento e o desenvolvimento em qualquer vertente é igual a muito ruído.

No país em que vivemos encontramos isso em níveis mais elevados ainda, pois além dos barulhos costumeiros do dia a dia em uma cidade, esbarramos também numa grande fonte de poluição auditiva. A cultura. No Brasil, qualquer espécie de demonstração de alegria, divertimento, bem-estar, ou até mesmo, pasmem, “tranqüilidade”, envolve barulho. Som alto vindo de residências, carros desajustados que não deveriam nem estar rodando, pessoas falando a níveis totalmente desnecessários somente para chamarem mais a atenção, coisas que caem e são jogadas, sem citar os nossos grandes amigos motoristas que resolveram em algum ponto de sua vida colocar o máximo possível de reprodutores sonoros em seus carros, para atingir todas as freqüências que suas grandes orelhas conseguem ouvir.

Todo esse som desnecessário atrapalha e ponto final. Não ajuda em nada, muito pelo contrário, destrói a capacidade de concentração de 95% da população e olhe que os outros 5% não são lá muito reconhecidos por se concentrar. Isso nos leva a uma constatação: barulho em excesso ATRASA!

Claudio de Moura Castro, economista formado pela USP que passou 15 anos fora do Brasil, escreve um texto publicado na revista VEJA no qual ele levanta a seguinte questão: “Será que o baixo crescimento da economia não seria resultado do excesso de barulho?”, pois bem Claudio, com certeza não somos atrasados economicamente somente pelo excesso de sons que nos cercam, mas com toda certeza isso ajuda e muito. Muito barulho estimula a NÃO-concentração, o que estimula cada vez menos situações de estudo, trabalho, descobertas, que por fim nos estimulam cada vez mais a nos estagnarmos intelectualmente e vivermos de maneira passiva, sendo levado pelas ondas sonoras que chegam constantemente aos nossos já muito danificados ouvidos.

Um país que não se estimula a crescer, não cresce, não só economicamente, mas em todos os outros sentidos. Barulho deve ser uma opção e não uma regra, porém onde vivemos é exatamente o contrário. Sem pessoas inteligentes, que tenham a chance de pensar e evoluir em silêncio, nas devidas posições de comando em nosso país, teremos cada vez mais dificuldades além das normais que já nos abatem. Reflita você, é mais fácil conversar no silêncio, ou com muito ruído ao redor? E estudar, brincar, comer, dormir, sonhar, chorar, andar, cantar, dançar, correr…

Assim nos acostumamos tanto a essa turbulência sonora, que nem sequer ensinamos aos nossos filhos a viver de maneira diferente. Crianças ganham brinquedos que apelam pela sonoridade, adolescentes usam Ipods a todo volume em seus tímpanos e adultos sonham em comprar um Home-theater para fazer mais e mais sons. Assim voltamos a onde nunca saímos… Barulho.

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