“Lula, filho do Brasil”, não dos brasileiros

27 set

Por Garon Piceli

O inédito gênero no Brasil, já bastante conhecido lá fora, irritou os grandes patriotas – que não sabem o que é patriotismo, mas eu fiquei contente pela produção

O filme começa com uma trilha sonora agradável, composta pelo grande maestro Antonio Pinto. Vida Nova, Teima e Jornada podem até agradar os compositores  membros do colegiado do Oscar, mas em que categoria o filme pode chegar a ser escolhido à final? Melhor Produção Estrangeira. Se formos avaliar por esse ponto, e deixarmos o idealismo de lado, “Lula, o filho do Brasil”, prima pela beleza, dramaticidade e roteiro, mas população ainda não aprendeu a diferenciar o ufanismo da cultura, uma pena.

A dúvida dos críticos mais conhecedores do Oscar é que a cada edição do maior prêmio do cinema mundial ele se renova e busca roteiros diferentes, claro que a arrecadação conta – e muito, mas um roteiro de dedicação pessoal e expiação já está mais do que batido, e para que premiar um filme estrangeiro assim fabricado nos mesmos moldes, idênticos ao produzidos pelas bandas de lá dos Estados Unidos, se o que eles procuram é a cor do filme espanhol, o roteiro marcante do filme argentino, e as inovações das películas indianas?

O filme sim, tem um itinerário americanizado. Mas vamos combinar a história é de superação e tem muito de cinematográfico na vida de Lula. E ainda deixa margem para uma continuação.

O ponto mais forte da representação do filme foi o jogo que o Ministério da Cultura deu nos brasileiros, que já aprendemos a ser idiotas. Em uma pesquisa realizada no site do Minc, sobre qual filme deveria representar o país na disputa inicial. (Prometendo ainda que o filme com maior votação iria ao  colegiado do Oscar). O filme “Nosso Lar”, disparou nos votos. Mas “Lula, o filho do Brasil”, foi escolhido por unanimidade numa comissão de nove estudiosos  para ser o representante na disputa pelo prêmio de Melhor filme Estrangeiro.  O filme “Nosso Lar”, escolhido pelos brasileiros, nem foi cogitado. Alguma semelhança do ato com a política dos tentáculos?

O cineasta e professor de técnicas cinematográficas, Jean Claude Bernardet, membro da comissão, desvendou a escolha. Ele, como a maioria dos brasileiros,  contou em entrevista a vários portais que não gostou do filme, mas revelou que é o que tem mais potencial para chegar à festa americana. “A comissão se perguntou em função de que critério trabalhar e o critério foi o filme da lista que fosse o mais suscetível de provocar uma reação no exterior.

Que fosse suscetível de emplacar no exterior. Nós resolvemos que, finalizadas as indicações e os votos, a comissão consideraria como unânime, embora outras pessoas pudessem gostar de outros filmes. Houve um critério de que estávamos diante de um ato de política cinematográfica, e não de política partidária. Diante da nossa lista, não tínhamos nenhum filme com um grande ator, um grande diretor, uma grande temática. Era meio previsível que isso acontecesse”, disse.

Sobre o ufanismo político que foi criado como uma barreira ao filme, o cineasta reconhece o fracasso do pensamento nacionalista em relação a cultura do cinema. Enquanto nos Estados Unidos um filme da história de qualquer personalidade é sempre bem aclamado, não pela critica, mas pela bilheteria, no Brasil nem isso acontece. “É um melodrama e funciona enquanto melodrama.

Agora, dizer que seja o tipo de cinema de que eu gosto, não vou dizer isso. Mas é um filme competente, sim. É um filme que faz as pessoas chorarem em certas cenas. É um melodrama e foi feito para isso. Isso não é um pecado. A nossa preocupação foi eventualmente indicar um filme de que pudéssemos gostar mais e isso cair no vazio”, comentou.

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